[leia] Felipe Guerra ou Pedra D'abelhas?

Amigos e amigas leitores deste espaço, estamos diante de um assunto de muita importância para nossa cidade. Pois é algo que já está encravado em nossa mente e coração, quero deixar bem claro, que não queremos atingir a honra das famílias (Pinto e Gurgel) que foi o foco principal relatado pelo historiador, apenas fazemos um resgate do princípio da nossa história. O momento é de reflexão, e sobre a mudança de nome, não sei se seria muito bom haver um resgate de nome da nossa cidade, mas baseando nos fatos históricos, o nome "Pedra de Abelhas" ganha mais proporção.

Resgate de nome SIM ou NÃO, esta é uma discussão que deveria ser foco de um debate público, dessa ver mais aprofundado, entre representantes de vários seguimentos da sociedade e instituições públicas e privadas do município e em todos os meios de comunicação disponíveis, avaliando-se os prós e os contras, ouvindo cada opinião, para que se chegasse a um consenso geral, até porque é um assunto que vem sendo levantado todos os anos.

O nome "Felipe Guerra" foi na verdade, no tempo do saudoso ex-prefeito "Tilon Gurgel" que fez uma homenagem para seu cunhado Dr. Felipe Néri de Brito Guerra, filho do município de Campo Grande, Felipe Guerra era casado com uma irmã de Tilon Gurgel, que segundo o historiador o Dr. Felipe Guerra não trouxe nenhum benefício para a comuna de "Pedra de Abelhas", para tutelar a razão de ter o seu nome como patrono toponímico do novel município. Dr. Felipe Guerra, era apenas líder da Região, e foi Deputado, Juiz de Direito, Desembarcador e Secretário de Educação.

O nome "Pedra de Abelhaderiva do fato histórico de que existia, e ainda existe, um enorme bloco calcário com um buraco em sua estrutura, que ao longo de remoto tempo tem servido como espécie de colmeia natural, proporcionando a situação de grandes enxames de abelhas nativas da região. O nome é tão importante para o nosso município que muitas coisas aqui são batizadas com nomes relacionados à ele: Abelhudo News, Abelhudo Rock, Centro Pedra de Abelha, Projeto Abelhar, Forró Ferruado, Grupo de escoteiros Pedra de Abelhas, Arraiá Pedra de Abelhas e etc. Para muitos o nome "Pedra de Abelhas" é mais poético, mais bucólico, atinente e merecido.

Opinião do Blog:
O que eu quero colocar em discussão não é a importância de Felipe Néri de Brito Guerra, homem que dá nome à nossa cidade, mas sim, o nome Felipe Guerra propriamente dito, visto que muitas pessoas, preferem que cidades sejam batizadas com nomes que fazem parte da História e das origens do povoado, como acontece com a maioria dos municípios do Ceará, onde dificilmente se vê cidades com nomes de pessoas.

Ao invés de Rodolfo Fernandes, Dr. Severiano, Severiano Melo, Felipe Guerra, Dr. Eloi de Souza, Governador Dix-Sept Rosado, Marcelino Vieira, mais bonitos são Apodi, Caraúbas, Mossoró, Assu, Tibau, Patu, Pedra de Abelha, Currais Novos, Pau dos Ferros, Caicó, etc

Algumas autoridades do município já demonstraram sua opinião no tocante assunto, uma questão delicada para o município, mas que se for colocada em pauta para toda a população, com certeza geraria um amplo debate. O ex-prefeito Hugo Costa, já chegou a comentar em 2009 sobre o nome do nosso município, e disse que seria bem melhor e mais bonito que nossa cidade tivesse o nome antigo, Pedra de Abelha.

O Atual líder do Executivo na Câmara, vereador Ubiracy Pascoal, já lançou no passado um projeto de resgate do nome "Pedra de Abelhas", e segundo informações teria sido boicotado pela ilusão de alguém ligado algumas famílias.

Após colocar a série "Fogo de Pedra de Abelhas'' por Marcos Pinto, o blog recebeu vários comentários de pessoas que reside em outras cidades distantes. Como por exemplo um filho da nossa cidade, que reside em João Pessoa-PE, Eduardo Castro e Silva, disse ao blog, que além do real desejo de mudança assim como o Prefeito Haroldo Ferreira vem fazendo na cidade, a mudança do nome será uma GRANDE DEMONSTRAÇÃO DE RESPEITO ao seu povo. E acrescentou: "Sou neto de cidadãos Pedrenses de Abelhas e, vi meus avós falarem dos tempos sujos e sórdidos dos coronéis da chapada do Apodi, disseram que a imposição do nome foi um desrespeito aos cidadãos da época, sendo isso estendido até hoje", disse.

O blog recebeu comentário contra o historiador e advogado, Dr. Marcos Pintos. Segundo Flávio Gurgel, o historiador que escreveu a história, escreveu com ódio no coração. Devido a isso, o Blog Pindoba Notícia lança uma enquete e o debate, desde já, quero lembrar que a enquete é de mera opinião pública e não tem ligação política, pois surgiram boatos que esse assunto foi levantada a pedido de algumas autoridades, e afirmo que não, apenas o blog foi provocado por internautas fazendo indicação dos textos, e sentimos o desejo de conhecer o passado através dos mesmos.

Qual nome você acha que nossa cidade deveria ter? O atual, Felipe Guerra? Ou o antigo, Pedra de Abelha? - A Enquete está na barra lateral do blog e dura em 5 dias...

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24 comentários:

Anônimo disse...

Na época não houve escuta a população foi apenas uma imposição por parte de um pequeno grupo dominante (donos de terras e do medo). Respeito em todos os aspectos as famílias envolvidas nessa questão, mas uma cidade amável e graciosa como é Pedra das Abelhas não pode deixar de possuir seu veradeiro nome. Continuo dizendo o que disse anteriormente, um povo que provou que a mudança é possível elegendo Haroldo Ferreira Prefeito, tem autonomia total para retornar as suas origens.

Uma mudança do nome será uma GRANDE DEMONSTRAÇÃO DE RESPEITO dado ao seu povo, pense nisso classe política das Abelhas.

Eduardo Castro e Silva, neto de cidadãos Pedrenses de Abelhas.

João Pessoa-PB

Francisco de Assis Gurgel disse...

Flavio Gurgel lembrou que Marcos Pinto tem mágoa de Tilon Gurgel e isso foi dito por Dr. Eilsom Gurgel

Dr. Eilsom disseque Tilon, pai dele, não mandou matar ninguém e isso e uma causação não procedente.

Paulo Gurgel disse...

EU VOU TRANSCREVER O QUE O MEU PRIMO ESCREVEU

Pindoba disseque foi TILON quem determinou o nome, mas não foi,na verdade foi Niltom Pinto da cidade de Apodi e um grupo de professores dealfabetização.

Não há vaidade ou coronelismo, foi o deputado Niltom Pinto, primo de Marcos Pinto, que pediu o nome Felipe Guerra para a cidade.

A família Pinto foi quem pediu, Marcos Pinto esqueceu disso ?

Felipe Guerra foi o primeiro professor da cidade e fez a primeira escola numa sala do Sítio Canto.

Queria minimizar ou erradicar o analfabetismo na pequena vila.

Não precisa as pessoas agredirem a família Gurgel.

Não foi a família Gurgel que pediu o nome, foi a família Pinto mais vários professores em razão da cruzada contra o analfabetismo feita no Brejo de 1898 a 1908.

maria cecilia disse...

na verdade pedra de abelha sera bastante enteresante.porque quando alguem pergunta o porque pedra de abelha;ha uma emorme pedra que ja atravesou decada seculo e ate virada milhenar aos olhos dos abitantes desta regiao abitando bastante abelhas ao longo do tempo existente de abitantes na regiao do nosso municio

Anônimo disse...

O QUE TEM QUE MUDAR E O CARACTER DOS POLITICO S DA CIDADE, PORQUE CONTINUA TUDO DO MESMO GEITO DO PASSADO, SO FACHADA.

Anônimo disse...

MUITO INTERESSANTE, VER QUE AS PESSOAS SEMPRE USAM AS OPINIÕES DOS OUTROS PARA FALAREM O QUE ELES NÃO TEM CORAGEM DE DIZER. NA MINHA OPINIÃO, A FAMÍLIA GURGEL, FOI É E SEMPRE SERÁ A FAMÍLIA MAIS IMPORTANTE E INFLUENTE DE NOSSA CIDADE, TANTO QUE TENHO NA MEMORIA DO DR. EILSON GURGEL O ÚNICO HOMEM DESTA TERRA A MIM EMOCIONAR QUANDO O OUVIA DISCURSAR, PRESTAMOS UMA JUSTA HOMENAGEM A SEU NOME QUANDO O PODER LEGISLATIVO DEU O SEU NOME NO HOSPITAL MUNICIPAL,O DR. TILON GURGEL FILHO É UM DOS HOMENS MAIS QUERIDO POR MIM E PELOS MEUS FAMILIARES, ENTÃO A ESTA FAMÍLIA SÓ TENHO PALAVRAS DE AGRADECIMENTO, POIS QUANTO AO MEU COMENTÁRIO NO PINDOBA NOTICIA, FOI PURA E EXCLUSIVAMENTE REFERENTE AO DESEJO POPULAR DO POVO DE FELIPE GUERRA, QUE MESMO TENDO NO CIDADÃO PATRONO EXTRAORDINÁRIO DE DR. FELIPE NERIS DE BRITO GUERRA, EU NUNCA DEIXEI DE VER O DESEJO DA SOCIEDADE EM TER NO SEU NOME ORIGINAL, PARA EXPOR MELHOR A MINHA OPINIÃO, VEJAM OS COMÉRCIOS DE NOSSA TERRA QUE EM SUA MAIORIA UTILIZAM O NOME DE PEDRA D´ABELHAS COMO NOME FANTASIA. QUANTO AS PESSOAS QUE ESTÃO FALANDO DE PROCESSOS ELEITORAIS, NÃO SOU ADVOGADO E NEM CITADO EM NEM UM DESTE,NÃO ENTENDI NADA, EM DIZER QUE ESTOU DESVIANDO AS DISCUSSÕES. ENTÃO SE DE ALGUMA FORMA OFENDI ALGUÉM NÃO FOI COM INTENÇÃO MAS, SIM DEIXEI A MINHA HUMILDE OPINIÃO.
VEREADOR UBIRACY PASCOAL

Anônimo disse...

QUE DESENVOLVIMENTO TRAZ PARA FG OU PEDRA DE ABELHA MEU POVO UMA ÉPOCA ONDE O POVO LUPA POR EDUCAÇÃO DE QUALIDADE UMA BOA QUALIDADE DE VIDA, UM SISTEMA DE SAUDE DE QUALIDADE, VCS COLOCAM DEBATES SEM PRECEDENTES PARA A SOCIEDADE DEBATER VÃO PROCURAR OQ FAZER SEUS PARASITAS...

Marcos pinto disse...

- Em 10 de Maio de 1927 a cidade do Apodi é assaltada e saqueada por um bando de cangaceiros, em número de 27, pertencentes ao bando de Lampião, que se achava aquartelado na Serra do Pereiro, em fazenda de José Cardoso, primo e compadre de Décio Holanda, que por sua vez era genro do pérfido e truculento Tilon Gurgel. O bando era comandado por Massilon Benevides. Nesse fatídico dia o bando assassinou o comerciante apodiense Manoel Rodrigues, que deixou a viúva Lúcia, que viria a casar com o Sr. Vicente Maia;
- Em 1931 o Desembargador Felipe Guerra, em manobra sórdida para prejudicar o povo apodiense, retirou a sede da Comarca para a cidade de Caraúbas, rebaixando Apodi à condição de Termo da Comarca de Caraúbas. Essa humilhante situação só foi revertida em 1947, quando o então Prefeito Lucas Pinto elegeu o Telegrafista Cosme Lemos, casado com uma apodiense (Hilda Lopes, tia de Robson Lopes) Deputado Estadual, que apresentou projeto que retornava Apodi à condição de sede da comarca;

Marcos pinto disse...

Totalmente descabida e sem procedência a afirmativa de que o então Deputado Newton Pinto fora o propositor do projeto legislativo que mudou o nome para Felipe Guerra, que, inclusive,cerrou fileiras com o cunhado Tilon Gurgel para implantar o terror em Apodi,homiziando no "Brejo do Apodi o bando de jagunços (50)armados e comandados por seu genro Décio Holanda. (FONTE: Relatório oficial do Delegado e Capitão de Polícia Jacinto Ferreira Tavares).
Dentre a imensa gama de fatos lamentáveis que macularam a história do Apodi, e que constituíram perdas
irreparáveis para o nosso patrimônio material e moral, merecem destaque:
- Importação, via Tilon Gurgel, de elementos dados à truculências, vindos da cidade do Martins e da serra do Pereiro, no Ceará, respectivamente Srs. Juvêncio Barreto e Martiniano de Queiroz Porto e Décio Holanda, que fixaram residência em Apodi no ano de 1915, tendo Juvêncio passado a residir em sua fazenda "Unha de Gato", e Martiniano naquele sobrado onde funcionou o primeiro Cine Odeon, na rua João Pessoa. Já o Décio Holanda
fixou moradia no sítio "Brejo do Apodi", em terras do seu sogro Tilon Gurgel. Décio era protetor e pagador de um bando de cabras armados, em número de cinquenta.

Anônimo disse...

Será que existe alguma família articulada e fazendo campanha em relação ao resultado dessa enquete?

Talveis Gurgel da Nóbrega.

Brunno Antunes disse...

Pois tá parecendo que os senhores pintos foram os Deuses e os truculentos e infames foram os Gurgel. Me parece que a fama dos Pintos em Apodi não é digna de histórias saudáveis. Falar o que determinados leitores da época escreviam, como queriam, é muito fácil para defender e acusar alguém seu Marcos Pinto. Sou Gurgel e concordo com o nome Pedra de Abelhas ou Brejo. Usar termo escritos por pessoas influenciadas da época, que ouviam uma única versão, e expunha como a verdadeira, não é prova da idoneidade ou truculência de alguém ou família.

Anônimo disse...

Os Gurgel e Guerra é quem mais está votando passando emails para os outros mandando votar até os que não moram aqui. Aí eles dizem aqui que é a favor de Pedra de Abelhas para disfarçar.

Abelhudo

Luis Frederico de Souza Gurgel disse...

Abelhudo, calma, a cidade de Januário Cicco mudou para Boa Saúde e ninguém morreu por isso. Não há necessidade da família Guerra Gurgel ficar passando e-mail ou ficar disfarçando. Façam um plebiscito e a população resolve.

Dizer que os Gurgel e Guerra tão passando e-mail é continuar o festival de agressões que não leva ninguém a lugar nenhum. Vamos respeitar a vontade de Ubiraci, Tiago, Abelhudo etc.

Vamos orar um pouco porque precisamos de paz eu, voce e nossas famílias.

Paz para Ubiraci e sua familia, Paz para Tiago Gama e sua familia. Eu não estou aqui para disfarçar, o povo decide num plebiscito e pronto, vamos deixar de ataques.

Tiago Gama é um menino novo e tem um futuro pela frente. Ubiraci é verador e o povo pode votar no plebiscito.

Peço somente que as agressões tenham fim.

Thiago Gama disse...

Olá Luiz, tudo bem?!

Gostaria de dizer que por enquanto, não há necessidade no momento, de mudar o nome da cidade. O blog não teve o intuito de induzir as autoridade a mudar o nome da cidade. O que fizemos foi tão somente mostrar as histórias relatado pelo historiador apodiense, que segundo ele, a história foi baseados em documentos inédito oficial, entendemos que é de interesse da coletividade.

Acredito que NINGUÉM tem motivos para ficar neste lenga lenga, e ainda se tratando algo do passado. Isso é ruim para a família e tbm pra o blog, pois queríamos uma discussão mais sadia.

Adianto pra você, que o resultado da enquete é apenas para saber a opinião dos leitores, e não vai interferir em nada.

Agradeço, e paz pra vc tbm, que Deus nos proteja e nos guarde de todo mal.

Forte Abraço, Thiago Gama...

Anônimo disse...

Marcos Pinto está perdendo feio para Romero:
http://blogcarlossantos.com.br/massilon-e-o-odio-de-decio-holanda-contra-chico-pinto/

Marcos pinto disse...

Essa postagem do meu amigo José Romero, que por sinal é primo dos ROSADUS - você sabia anônimo? Só corrobora o que já escreví: Que Tilon gurgel trouxe o seu genro o bandido Décio Holanda com seus 50 jagunços, verdadeira milícia particular para instalar o terror no povo do meu Apodi. Saiba o anônimo que Felipe Guerra era compadre, e cúmplice de Jerônimo Rosado na trama para trazer Lampião para Mossoró.Veja artigo no blog HONORIODEMEDEIROS.BLOGSPOT.COM

Anônimo disse...

Muito interessante esse relato do professor Romero. Por isso, não achei irresponsabilidade do Pindoba Notícias publicar essa versão da história desta cidade, logo porque o texto não é de sua autoria e nem se trata de uma opinião, mas de um relato histórico baseado em registros bibliográficos. Quem tiver outros com referências bibliográficas que refutem o relato do professor Romero que os publique. Contrapor-se com opiniões, xingamentos e pieguices não refutam argumento algum, ao contrário, só o reforçam.

Vi e li, em outros blogs, sobre esse mesmo assunto, achei muito estranho algumas pessoas chamarem o Thiago de menino imaturo, inexperiente e irresponsável. Ao contrário, eu achei muita maturidade, responsabilidade e coragem do blogueiro em mostrar esses fatos aos cidadãos abelhenses, haja vista a grande manifestação de repúdio e intimidação sofrida por esse blogueiro por parte das famílias envolvidas nesse episódio.

Outrossim, é que esse assunto, de forma alguma, desvia a atenção dos leitores dos problemas locais, como dizem alguns poucos. Esse texto do Marcos Pintos, que ora discutimos, há pouco tempo que foi publicado e é assunto de interesse regional.

Quem diz que Tiago está querendo desviar a atenção do povo de Abelhas dos problemas atuais são exatamente aqueles que estão tentando desviar a atenção do povo dessa cidade sobre esse assunto. Lógico que isso é um argumento (se é que se pode chamar isso de argumento) tático – pura manobra de quem quer dar a volta por cima. Que dê, mas assim o faça com argumentos comprobatórios. Não subestimem a capacidade de interpretação dos leitores – respeite-os!

Esse texto do Romero atesta aquele do Marcos Pinto e por ser mais dramático e contundente, acredito que muito em breve chamará atenção dos organizadores do “Chuvas de Balas”, evento cultural que acontece anualmente em Mossoró. Nesse evento os atores encenam o fracasso do ataque de Lampião a essa referida cidade. Essa peça teatral tem o pátio da Igreja São Vicente como cenário porque foi lá onde houve o confronto entre os moradores locais e os implacáveis bandidos de Lampião. Lá, a participação do Décio Holanda e sua patota passa despercebida, exatamente porque os organizadores desconhecem esse fato.

É triste saber que enquanto o povo da região vivia apavorado com os ataques iminentes e sanguinários de Lampião e lutava para rechaçar esse bando de criminosos, os coronéis de Felipe Guerra homiziavam e davam apoio estratégicos a esses bandidos.

Silva

Marcos pinto disse...

Vejam elucidativo depoimento do bandido MORMAÇO, que trata, dentre outros ítens, do ataque de bandidos do bando de Lampião, comandados por Massilon Leite, vinculado ao Décio Holanda e Tilon Gurgel, ocorrido a 10 de Maio de 1927. Tenho em mãos cópias do processo-crime em que consta que o Décio Holanda comprara dois mil cartuchos com balas de rifles em Mossoró, no ano de 1925. Quando o Capitão Jacinto Tavares fez busca e apreensão dessa vasta munição, o Décio Holanda, genro de Tilon, já a encaminhara para o compadre e parente José Cardoso, coiteiro de Lampião em Pereiro. a leitura dirimirá muitas interrogações. Vejam:
O CANGAÇO

INTERROGATÓRIO DO CANGACEIRO MORMAÇO APÓS SUA PRISÃO

Auto de perguntas feito ao cangaceiro. Dado à autoridade policial da cidade do Crato-CE, em 9/8/1927.

Aos nove dias do mês de Agosto do anno de mil novecentos e vinte e sete, as treze horas, nesta cidade do Crato, Estado do Ceará na delegacia de policia, onde estava presente o delegado em exercicio, major Raymundo de Moraes Britto, commigo, escrivão do seu cargo, abaixo nomeado, ahi foi apresentado o preso - Francisco Ramos de Almeida, por alcunha de Mormaço, de vinte (20) annos de idade, filho de Jose Ramos de Almeida, solteiro, natural do municipio de Araripe, logar “Baixio do Ramos”, deste Estado, não sabendo ler nem escrever.
Interrogado a respeito do que causa a sua prisão, disse: - que no anno de mil novecentos e vinte e quatro (1924) elle respondente, residindo em Araripe, deste Estado, seguiu com destino a Ouricury, no Estado de Pernambuco, afim de assentar praça na policia desse Estado, cujo alistamento estava sendo feito pelo Sr. capitão João acob, pertencente á mesma; que chegando ali o tenente Manuel Antonio, elle respondente, em companhia deste seguiu para São Gonçalo e dali até Valença, no Estado do Piauhy, onde deram combate aos revoltosos, sob o commando do coronel João Nunes; que, dali, voltando, effectuaram diversas volantes, terminando no logar “Custodia”, do Estado de Pernambuco, onde, devido á quebra de disciplina para com o cabo commandante da força, foi por este motivo excluido, tendo servido nesta corporação cerca de um anno e cinco meses, mais ou menos; que dali veio para o logar “São Francisco”, do municipio de Villa Bella, encontrou-se com o grupo de Lampeão, no qual foi apresentado como um dos soldados que já o havia perseguido; que nessa occasião Lampeão tentou mata-lo e depois o convidou para andar em sua companhia, sob pena de morte; que, em vista da ameaça, o respondente preferiu acompanhá-lo; que, no dia seguinte, mais ou menos no meiado do anno de mil novecentos e vinte e seis, seguiu todo o grupo, acompanhado de guias, embrenhando-se na matta, com destino ao Estado de Alagoas; que o grupo nessa occasião se compunha de cincoenta (50) homens, na sua maior parte armados de fuzis e mosquetões mauser, e alguns rifles, todos bem municiados, sendo que diversos possuiam um equipamento de oitocentos (800) e mais cartuchos; que o grupo saiu na povoação de “Entre Montes”, no Estado de Alagoas, donde seguiram para “Olho dagua das Flores, passando pelos logares “Capim” e “Pedrão” e dali com direção a “Sertãozinho”,

Marcos pinto disse...

CONTINUAÇÃO do depoimento do bandido Mormaço, DO GRUPO DE LAMPIÃO:
que antes o grupo esteve no logar Antas, municipio de Aurora, entraram para o mesmo grupo os individuos Antonio Leite, vulgo Massilon e seu irmão Manuel Leite, , os quaes estavam homisiados na Serra do Diamante, do mesmo municipio, sob a proteção de Jose Crdoso e Izaias Arruda; que o grupo ao passar na Serra do Diamante, Lampeão ali deixou três cangaceiros sob a proteção de Jose Cardoso, cujos nomes são: Marreco, Xexeú e Cafinfin, os quaes o respondente ainda não s havia referido anteriormente; seguindo depois ate o logar Belem, onde houve resistencia, não conseguindo o grupo entrar no povoado, donde o grupo voltou pela catinga, ate a Serra do Diamante, municipio de Aurora, neste Estado, onde ficou occulto cerca de um mês, sob a proteção de Jose Cardoso e Izaias Arruda e Gustavo, e que o delegado de policia de Aurora de nome João Macedo, tambem sabia pois, foi ali visitar o grupo; que o respondente viu o delegado referido, na Serra do Diamante, em visita a Lampeão, uma vez, que Izaias Arruda fôra ali, tambem duas vezes e que Jose Carsoso ia sempre, um dia, outro não; que tambem esteve ali Julio Pereira, na companhia de um filho do Cel. Sant’Anna , conhecido por Zezinho e nesta occasião Sabino Gomes deu três contos de reis a Julio Pereira para este botar uma bodega em Joazeiro; que Lampeão nesse espaço de tempo, recebeu de Izaias Arruda dois mil cartuchos, entregues por intermedio de Jose Cardoso, que sempre era acompanhado de Gustavo e Jose Gonçalves, irmão daquelle; que todas essas pessoas sabiam que Lampeão estava se preparando para ir atacar Mossoró no Rio Grande do Norte, ataque este que era acomselhado por Izaias Arruda e Jose Cardoso, que diziam alli existir pouca força e se tornar facil, assim, o roubo; que em vista disto seguiu o grupo guiado pelo vaqueiro de Jose Cardoso, de nome Miguel, por veredas, numa extensão de dez legoas dali voltando, ficando como guia Massilon, que conhecia todo o caminho; que a viagem se fazia sempre á noite e durante o dia escondiam-se no matto; que o respondente sabe por ter ouvido Lampeão dizer e disto ter certeza,

Marcos pinto disse...

CONTINUAÇÃO (Parte 03) do depoimento de Mormaço. Onde se lê Otílio Salustiano, leia-se Otílio Diógenes, compadre e amigo de Tilon Gurgel.
que continuavam presos no mesmo local da luta, o Sr. Antonio Gurgel e uma senhora de que o respondente não sabe o nome, dos quaes Lampeão exigia vinte contos de Antonio Gurgel e trinta da referida mulher, pela sua liberdade; que desse local seguiram e, chegando nas vizinhanças da casa de Ottilio Salustiano, já referido acima, oito leguas distante do local da luta, o respondente, em companhia de sabino Gomes, foi deixar os referidos presos a quem Lampeão deu liberdade e algum dinheiro para a viagem; que deste local seguiu o grupo, por dentro do matto, acompanhado de guias e algumas vezes andando pela estrada porem eram repellidos pela força cearense que estava em seu encalço e novamente os obrigava a internar-se na matta; que nessa marcha veio o grupo ter á “Serra do Diamante”, já alludida atrás, onde homiziou, sob a proteção de Jose Cardoso que nesse mesmo dia conduziu um bocado de munição e a entregou a Lampeão, que a distribuiu com o pessoal do grupo; que no dia seguinte Jose Cardoso foi novamente á Serra do Diamante e ali convidou Lampeão para com o grupo vir para o sitio Ipueiras de sua propriedade, convite este que foi acceito, vindo o grupo logo em companhia do mesmo; que o grupo ao chegar em Ipueiras demorou dois dias, acampado numa manga proximo a um açude; que no primeiro dia Jose Cardoso forneceu almoço e jantar; que no segundo dia quando chegou o almoço, mandado tambem por Jose Cardoso, ao provarem-no alguns acharam amargoso, sendo que três delles enguliram alguns bocados, sentido logo após convulsões; que Lampeão e os do grupo desconfiaram que aquella comida estivesse envenenada e por isto Lampeão resolveu abandonar o ponto em que estava o grupo; que quando se preparavam para levantar acampamento verificaram que o pasto da manga estava incendiando e por isto ainda mais apressaram a fuga, saltando algumas cercas; que nessa fuga, morreram, logo adeante, os três cangaceiros que sentiram convulsões, depois da comida alludida, cujos nomes são: Mergulhão, Gavião e Fortaleza os quaes foram enterrados num riacho, pelo grupo; que o grupo tomou a direção da Serra de São Pedro, e, antes de ali chegar, mudou de rumo na direção de Ingazeiras, e distante duas leguas deixou o respondente o grupo, com o conhecimento de Lampeão, a quem vendeu o seu fuzil por duzentos mil reis, cuja arma tinha comprado a um rapaz de Lampeão; que deixando o grupo, seguiu o respondente até Joazeiro, sendo acompanhado por Coqueiro e de Joazeiro seguiu o respondente para Araripe, onde rerside o seu pae; que Coqueiro tomou a direção do Piauhi, não sabendo mais noticias delle;

Marcos pinto disse...

CONTINUAÇÃO (Parte 04) do depoimento do bandido Mormaço:
que, no dia da chegada em Ipueira, Izaias Arruda mandou pedir mais a Lampeão por Jose Cardoso a quantia de quatorze contos, e que Lampeão combinou com Sabino Gomes dando cada um uma parte e enviaram a quantia pedida e que o respondente assistiu á entrega do dinheiro referido; que elle respondente não tomou parte no roubo de Apodi, nem tambem o grupo de Lampeão e que este saque foi dirigido por Antonio Leite, vulgo Massilon, o qual possuindo somente um cangaceiro, lhe foi fornecido trinta homens por Izaias Arruda, combinados para dividirem o roubo, tendo este novo grupo atacado Apodi, Gavião e Boa Esperança, no Rio Grande do Norte, resultando o roubo em quarenta contos de reis, em dinheiro, afora objetos de ouro e prata, relogio, etc.; que elle respondente, estando na Serra do Diamante, com o grupo de Lampeão, ali chegou Izaias Arruda e contou a mesma historia que lhe contara Antonio Leite, vulgo Massilon, sobre o facto narrado acima, acrescentando mais que, se com os trinta homens que havia dado a Massilon, que é tolo, tinha adquirido quarenta contos, quanto mais Lampeão - que arranjaria muito mais dinheiro, por possuir maior numero de cangaceiros e ser mais experiente;

Anônimo disse...

Uma pergunta para o Marcos:

Há uma conversa de que o Toinho Gurgel, irmão do Tilon, fora seqüestrado pelo bando de Lampião e que ele foi solto num lugarejo chamado Santana, onde foi construída uma capela de nome Santo Antônio para agradecer ao Divino e homenagear , com o homônimo, o seqüestrado. Marcos, isso me parece estranho, se o Tilon e seu cunhado, Décio, conluiavam com os bandidos, porque então um irmão do Tilon fora seqüestrado?

Silva

Marcos pinto disse...

Foi a incrível ironia do destino, posto que Lampião fora instado por Izaías Arruda,e José Cardoso,compadre e parennte de Décio Holanda, instrumentalizados um mês antes na fazenda Bálsamo,(de Décio) a invadir Mossoró e assassinar o então Prefeito Rodolfo Fernandes. Lampião não sabia que Tilon estava envolvido na trama. O Diário do Coronel Antonio Gurgel evidencia a intensa luta empreendida por Tilon para soltar o seu irmão. Só depois que Lampião recebeu, via Massilon,cartas do Décio Holanda e José Cardoso,solicitando a soltura do Antonio Gurgel, é que ele liberta-o perto da fazenda de Otílio Diógenes,(amigo do Tilon)dando-lhe um queijo e dinheiro. Sugiro ao anônimo que leia o Diário do Coronel Antonio Gurgel, que inclusive foi escrito por Felipe Guerra,publicado no Rio de Janeiro, e não em Mossoró, como recomendava a lógica. Sugiro que leia o Blog do Honório de Medeiros, que traz pormenores.

Anônimo disse...

Caro Marcos,
Obrigado pelas exposições elucidativas de suas respostas e comentários. Em breve, irei verificar os textos sugeridos. Tenho interesse em compreender a dialética dos fatos históricos para melhor entender o presente que é de nossa inteira responsabilidade.
Na verdade, digo: fiquei muito surpreso com toda essa História. Mas foi somente por meio desse relato histórico que a ficha caiu. Pois, há muito tempo atrás ouvia dizer que o Tilon tinha uma filha (chamada Chicuta) que era casada com um cangaceiro de Lampião de nome Décio e que ninguém, do município, sabia onde ela morava. Aí, ficava sem entender o seqüestro do Toinho Gurgel, uma vez que este era tio da filha de Tilon. Mas irei verificar os textos indicados. Meu muito obrigado.

Silva

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