Desabamento de ciclovia no RJ foi causado por erro de projeto, diz engenheiro

O desabamento de parte da Ciclovia Tim Maia, em São Conrado, na zona sul do Rio foi causado por falha de projeto, de acordo com o engenheiro civil e conselheiro do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (Crea-RJ), Antônio Eulálio Pedrosa Araújo, membro da Associação Brasileira de Pontes e Estruturas. Duas pessoas morreram no acidente.

“Não foi considerado o efeito da onda sobre a parte inferior da passarela, que fez com que ela tombasse. Aquele trecho é diferente dos demais, tinha apenas uma viga central. Como os apoios eram muito próximos um do outro sobre os pilares, a força de içamento do lado que onda bateu ficou mais engrandecida”, explicou. “Quem fez o projeto não levou em consideração o efeito dessa onda, embora a premissa de um projeto sejam as considerações e combinações de carga", acrescentou.

Para ele, os cerca de quatro quilômetros da via devem passar por nova análise. “Tem que ser feita uma análise de todo o projeto, a memória de cálculo, para tranquilizar a população. Talvez tenham subestimado o efeito da onda, não tenham considerado a maior onda, que é uma estatística. Há ondas que ocorrem de cem em cem anos, mas devem ser consideradas, e um fator de segurança deve ser aplicado.”

O engenheiro disse que, em geral, a engenharia estrutural é desvalorizada. “O preço dos projetos às vezes é muito aviltado, reduzindo prazos e isso acaba influindo na qualidade do projeto. Em engenharia estrutural, não pode haver riscos, pois os riscos ocasionam mortes; às vezes, várias mortes.”

"Sou totalmente responsável", diz prefeito do RJ sobre queda de ciclovia

O prefeito Eduardo Paes chamou de imperdoável o acidente e determinou a apuração imediata dos fatos. Ele estava na Grécia para o acendimento da tocha olímpica ontem (21) e voltou ao Brasil antes do previsto. Ele fez uma coletiva de imprensa ainda ontem (22) sobre o caso. 

“Sou totalmente responsável. Em última instância, é a prefeitura que executou a obra. Não vamos brincar com esse tipo de coisa. O prefeito assume suas responsabilidades porque, em última instância, é quem designa os dirigentes do município”, disse Paes.

Segundo Paes, o presidente da empresa municipal responsável pela fiscalização da obra, Geo-Rio, Márcio Machado, pediu afastamento da presidência do órgão. Além de assumir suas responsabilidades, o prefeito disse que quer encontrar os culpados pelo acidente.  De acordo com o prefeito, a responsabilidade não deve recair sobre órgãos e sim sobre indivíduos que cometeram erros.

“Acidentes não acontecem por acaso. A prefeitura não vai aceitar a desculpa de que ondas acima do normal bateram sobre a ciclovia. A gente sabe que as coisas devem ser feitas com muito estudo e muito detalhe.  Portanto, não é, na minha opinião, um acidente fortuito, aceitável. Nós vamos encontrar os responsáveis e esse responsável não é, certamente, a natureza. A gente vai fazer todos os esforços para que os responsáveis por isso, dentro ou fora da prefeitura, respondam por seus atos”, disse Paes.

Perícia independente

A Fundação Geo-Rio, da prefeitura, vai contratar perícia independente para emitir parecer sobre o desabamento. Uma primeira inspeção técnica no trecho de 26 metros da estrutura da ciclovia que desabou foi feita nesta manhã. Devido às más condições do mar, nova análise deverá ser feita depois que o nível da água permitir.

A prefeitura informou ainda que toda a extensão de 3,9 quilômetros (km) da ciclovia foi vistoriada e a estrutura está preservada, sem risco iminente. Por medida de segurança, a Avenida Niemeyer segue interditada ao tráfego, pois as ondas continuam atingindo a pista.

Custos

Os reparos serão executados pelo Consórcio Contemat/Concrejato, responsável pela construção, sem ônus adicionais ao município, pois a ciclovia ainda está na garantia de obra. A Avenida Niemeyer permanece interditada ao tráfego e o Corpo de Bombeiros continua as buscas no local.

O consórcio informou que está estudando as causas do acidente. O consórcio que venceu a licitação disse ainda que todo o processo foi supervisionado pelos órgãos de fiscalização competentes e que a empresa segue todos os protocolos e normas de segurança, utilizando-se das mais modernas técnicas e equipamentos de construção.

A estrutura da ciclovia no trecho é composta por elementos pré-moldados concebidos por sobrecarga total prevista em norma de 22,5 toneladas. Os três pilares estão apoiados em fudações fixadas à rocha.

Vítima

Os corpos das duas vítimas permanecem no Instituto Médico-Legal (IML) e devem ser liberados ainda hoje. O do engenheiro Eduardo Marinho de Albuquerque, de 54 anos, será cremado amanhã (23) no Memorial do Carmo, no bairro do Caju, zona portuária do Rio.

O engenheiro Eduardo Albuquerque era corredor e fazia sempre o trajeto da ciclovia. Ontem, antes de sair de casa, ele deixou um bilhete para o filho de 15 anos: “Vou correr. Volto já. Te amo”.

Informações da Agência Brasil
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