Afinal, você é de esquerda, de centro ou de direita? Descubra a sua posição

Qualquer um que tenha um habito de leitura na internet, especialmente com um gosto voltado à política, já deve ter se deparado com indivíduos ignorantes que não sabiam diferenças ideológicas básicas, chamando de esquerdopata/comuna ou reacionário/coxinha qualquer um que cruzasse o seu caminho.

Visando um melhor entendimento destas ideologias, achei necessário pontuar as diferenças entre direita política (centro-direita, direita e extrema direita) e esquerda política (centro-esquerda, esquerda e extrema esquerda), mas sem conceitos muito intelectualizados.

Diferenças básicas

A esquerda e a direita se diferenciam em muitas questões, mas dentre elas destaco três: a ação do estado, a hierarquia e o progresso. Entretanto, há que se salientar que estes três conceitos se mesclam dentro das duas ideologias dependendo da vertente de pensamento. Pretendo abordar a direita e a esquerda por um vies mais popular e menos teórico.

A Ação do Estado

O governo é a liderança de um estado que tem o poder de criar regras e exercer autoridade.

Dentro da visão direitista, o estado tem que exercer o mínimo poder baseado na liberdade do individuo, diminuindo impostos e gerando uma liberdade econômica. Um bom exemplo, é a arrecadação de impostos para a área da saúde. Este dinheiro arrecadado poderia ser melhor aplicado pelo próprio indivíduo no plano de saúde que lhe melhor convir. O estado não teria o direito de forçar o cidadão a pagar, seja por manutenção de estradas ou saúde, podendo ele escolher como melhor aplicar os seus recursos. Não tendo este direito, também não poderia impedir que pessoas possuam armas, pois se o estado não pode oferecer segurança, o cidadão tem o direito de se defender. Acreditam no mercado livre, que não significa uma ausência de regulamentação, mas sim, sem a interferência maciça do governo. Assim um comerciante poderia colocar o preço que quisesse em suas mercadorias atraindo clientes por melhores preços, gerando concorrência e favorencendo o consumidor. Em outras vertentes, o estado não deveria possuir empresas, deixando que o mercado se moldasse sozinho, permitindo que a concorrência gerasse qualidade — incluindo serviços básicos como água, luz e educação. Possuem seu foco no indivíduo, ou seja, na propriedade privada e na liberdade individual, conceitos que definem o capitalismo.

A esquerda defende que há a necessidade de uma intervenção do governo na economia e na vida do indivíduo para a diminuição da pobreza e das injustiças. O controle do capital (dinheiro, mercadorias, serviços) é controlado em parte — ou todo — pelo estado para garantir o bem estar geral. Tomemos como exemplo o imposto direcionado à saúde. Considerando que há individuos que não podem pagar por um plano de saúde, esquerdistas consideram justo que a sociedade como um todo pague para que todos possam usufruir deste serviço. O estado também tem a função de criar um comércio justo. Se uma empresa com alto poder aquisitivo puder colocar o preço que quiser em seus produtos, poderá levar a falência seus concorrentes, gerando desemprego e um futuro monopólio. A intervenção do estado serviria para proteger o pequeno e médio empreendedor. Em outras linhas de pensamento mais extremas (comunismo), o estado deveria controlar todos os meios de produção, para que assim pudesse ocorrer um distribuição igual de capital. A visão esquerdista possui foco na sociedade, na influencia do estado sobre o mercado, na racionalização da economia e intervencionismo.

Hierarquia

Tem-se por hierarquia uma ordem de importância e poder, de grupos de acordo com aspectos economicos, sociais e ideológicos. A diferença de classes, é um exemplo de hierarquia. A classe alta tem mais poder que a classe baixa, o presidente da companhia é superior ao estagiário, e assim por diante. Porém, o cerne da questão se encontra na importância e poder de certos grupos sobre as outros.

Segundo a direita, a desigualdade social é algo inevitável dentro da sociedade. Porém, todo o indivíduo tem a oportunidade de transformar a sua condição através de esforço próprio. A culpa do fracasso ou do sucesso de um indivíduo cai somente sobre seus ombros. A crença social se resume a “sobrevivencia do mais forte”, daqueles que fazem por merecer (meritocracia). De acordo com este pensamento é que políticas de assistencialismo não são aceitas pela direita. Se um indivíduo é carente financeiramente, é por que não se esforçou a mudar a sua condição. No entanto, a direita não ignora estes problemas, mas propõe outras soluções como “ensinar a pescar ao invés de dar o peixe”. Acreditam que todos os homens são iguais e por isso devem ser julgados na mesma medida. Por isso, o estado não deve intervir favorecendo certos grupos, como no caso das cotas raciais ou leis de proteção aos homossexuais, pois isto seria privilegiar um grupo sobre outro. Como acreditam que o trabalho engrandecem o homem e que a terra foi dada ao homem para produzir, questões ligadas as povos indígenas e ao meio-ambiente não ganham força entre os de direita, geralmente compondo a bancada ruralista. Como o foco se encontra na escolha e vontade do cidadão, conclui-se que mendigos e criminosos estão nestas condições por escolha própria, o que os leva a apoiar a pena de morte e a diminuição da maioridade penal.

Ao contrário da direita, a esquerda ideológica acredita que a desigualdade social é fruto do capitalismo e que o estado deve intervir para que haja igualdade. Acreditam que não há oportunidades iguais para todos, tanto financeira como acadêmica. Um exemplo, são os filhos de famílias ricas. Estes tem condições de pagar por uma educação de qualidade, e assim terão melhores chances de conseguir um bom emprego. Ao contrário, um indivíduo que cresceu em um comunidade carente, onde seus país nunca lhe ensinaram o valor do estudo ou do trabalho justo, provavelmente não terá as mesmas oportunidades. No caso das cotas raciais, um exemplo: o afro-descendente carente vem de uma família empobrecida a gerações, onde muitos de seus parentes não tiveram acesso a educação e a oportunidades, consequentemente foram marginalizados. As cotas surgem como uma solução para séculos de humilhação e desfavorecimento impostos sobre este grupo. O mesmo se dá com leis de proteção aos homossexuais. Apesar de sermos todos iguais, de todos corrermos os mesmos riscos de morte e assalto enquanto caminhamos na rua; o gay tem mais um risco pelo preconceito que vive, e como ninguém é morto ou mal-tratado por ser heterossexual, conclui-se que há um ódio especifico por este grupo, que não consegue se defender sozinho. O mesmo se da com as mulheres, no qual a violência contra a mulher por parte do homem (estupro, assedio sexual, violência doméstica) é substancialmente superior a violência da mulher contra o homem. Estes casos é que fazem leis especificas de proteção e assistencialismo necessários. O mesmo serve para com criminosos, estes que seriam vitimas do sistema pela falta de oportunidade ou educação. Entretanto, a esquerda não propõem perdoar ou ignorar os crimes cometidos, mas sim, a aplicação de uma medida eficaz que venha a reintegrar o individuo na sociedade. São a favor de aplicação de penas como forma de re-educação e não de punição. Tem seu foco na diminuição da desigualdade social criada pelo capitalismo. Não acreditam que a meritocracia seja justa em uma sociedade sem oportunidades iguais, pois “como ensinar a pescar se o rio esta seco?”

Progresso Social

O terceiro ponto diz respeito a mudanças na sociedade, como elas devem ocorrer e por que ocorrer ou não.

O capitalismo é um plano imperfeito, porém que pode ser aprimorado com calma. Mudanças devem ser muito bem pensadas, tendendo a respeitar o status quo. Assim a direita opta pela preservação ao invés da renovação, priorizando o respeito ao passado e a tradição, buscam razão na religião para dar suporte, ou não, as mudanças. Por estas restrições é que são denominados conservadores. Temas como casamento homoafetivo, aborto e eutanasia, geralmente tendem a se manter na esfera religiosa. 

O modelo familiar tradicional cristão é a base da sociedade e tudo que diverge dele não é aceito. Isto inclui o ativismo LGBT (pois familia é = homem+mulher+filhos) e o feminismo (pois a mulher tem o seu papel pré-definido na sociedade). Pela sua alta influencia religiosa, a direita basease-se na moral e disciplina como forma de construir caráter, relacionando-se com o outro através do respeito ou medo, tendo forte senso individual. Seus ícones são modelos de sucesso e individualismo, pessoas que mostraram o seu valor pelo próprio esforço: Margaret Thatcher, Reagan, Churchill, Rockefeller e empresários de renome. Também possuem forte senso nacionalista, acreditam que o certo e errado são absolutos e optam por profissões como: militares, policiais, economistas, engenheiros, advogados e empresários.

O progresso é essencial em um sociedade desigual. Segundo a esquerda, ela se despoja de conceitos e filosofias consideradas ultrapassadas, incluindo tradições e a própria religião, que não favorecem mais a sociedade. Apoiam a separação do estado e da igreja, criando um estado laico, não permitindo que a esfera religiosa interfira com assuntos para o bem geral. Na sua maioria não são contra religião, mas não lhe conferem valor politico, mas somente valor cultural. Baseam-se na ciência e estudos acadêmicos para dar suporte as mudanças. Discussões como casamento homoafetivo, aborto e eutanásia, são dirigidos no nível de evidencias cientificas e o respeito a diversidade. Prezam por uma sociedade multi-cultural e inclusiva baseada na ética, relacionando-se com base em co-operação e empatia. Sua preocupação se estende dos seres humanos ao meio ambiente, tendo do seu lado ambientalistas e defensores dos direitos dos animais. Seus ícones são modelos de empatia que lutaram pelos pobres e oprimidos seguindo seus ideais: Simon Bolivar, Nelson Mandela, Che Guevara, Marx e filosofos de renome. Escolhem profissões como: arquiteto, professor, cientista e voltadas para a comunicação.

Apesar da direita e esquerda serem distintas em ideais, podemos concordar em parte com elas. Como alguns acreditam em algumas caracteristicas da esquerda e outras da direita é que surgiram as posições políticas.

Centro-direita: Surgem de uma direita moderada com ênfase na democracia cristã. Tem os mesmos ideais da direita mas são mais complacentes em questões relacionadas aos direitos sociais e a igualdade de oportunidades. Isto os torna em certo nível mais flexíveis a políticas voltadas ao assistencialismo e ao papel do estado na sociedade. Aceitam pequenas regulações de mercado pelo estado e limitados bens controlados pelo mesmo — como saúde, educação e segurança. Acreditam que o ser humano possa mudar a sua condição através de esforço próprio, desde posição social a orientação sexual.

Partidos Políticos: DEM, PSC, PR, PTdoB, PSDC.
Imprensa: Estado de São Paulo, O Globo

Direita: Estes são os chamados conservadores ou nacionalistas. Possuem todas as qualidades da direita ideológica em sua essência. Acreditam em verdades permanentes e em uma cultura de valor superior, sendo esta associada diretamente a igreja e a “valores familiares” imutáveis. Lutam por uma uma cultura superior — ex: música clássica superior ao Funk; família homem+mulher+filhos superior a famílias monoparentais e homoafetivas; tudo que eleva o homem e o torna íntegro, superior ao resto. Vendo as diferenças culturais constrastantes da sua própria surgirem, torna-se o motivo porque acreditam que a sociedade esta perdendo valores. Geralmente tem influencias militares e autoritárias. Veem a hierarquia como uma Lei Natural: a hierarquia é a ordem da natureza e o privilégio é a recompensa do serviço honroso — RJ White

Partidos Políticos: Partido Progressista (PP).
Imprensa: Folha de São Paulo e VEJA

Extrema-direita: São os reacionários e fascistas. Estes trazem o conceito de uma cultura superior ao seu extremo. Prezam pela supremacia de uma cultura branca, heterossexual, patriarcal e religiosa. Sua aversão a tudo contrário ao que consideram superior e perfeito, podem levar a tentativas de aniquilação da imperfeição (genocídio). Buscam um estado autoritário que preze por uma etnia e religião dominante que mantenha o status quo, e são usualmente simpatizantes do modelo monárquico. Estes indivíduos teriam direito a mais privilégios por seu estado natural (homem, branco, etc.). Exemplos: Franco, Pinoche, Hitler (embora este último tenha suas controvérsias quanto a sua posição ideológica). São anti-comunistas e ultra-nacionalistas.

Partidos Políticos e Imprensa: Não há qualquer partido ou grupo de extrema-direita amparado por lei no Brasil. Qualquer forma de discriminação é proíbida por lei dentro do território nacional brasileiro — incluindo xenofobia, racismo, misoginia, homofobia e discriminação por religião.

Centro-esquerda: Acreditam nos ideais do socialismo, mas são mais favoráveis a uma economia de mercado, sendo complacentes ao sistema capitalista. Buscam uma transformação moderada e pacifica do estado tornando a sociedade mais igualitária. Tentam através de leis diminuir as injustiças sociais — assistencialismo. São compostos por social-democratas, ambientalistas e ativistas dos direitos civis/humanos. Apesar de um grande número destes serem defensores dos direitos humanos, há que se salientar que a esquerda não é mais humanizada do que a direita, mas sim, menos religiosa, o que a faz dar maior apoio as minorias.

Partidos Políticos: PV, PDT, PTB, PSDB, PMN e PT (este último se afastou dos ideais da esquerda)
Imprensa: TV Brasil, TVE

Esquerda: Esta visão luta pelo controle da produção, distribuição e consumo pelo estado extinguindo as classes sociais, também chamado de socialismo. Quando isto ocorresse em todo o mundo e não houver mais organizações ou instituições separadas do estado, é que estaria instaurado o comunismo. Essa transição de capitalismo para socialismo seria feita por uma ditadura transitória, onde haveria uma democracia parcial, a ditadura do proletariado. Acreditam que a religião é usada como ferramenta para manter as pessoas alienadas.

Partidos Políticos: PMN, PSB, PSOL.
Imprensa: Carta-Maior

Extrema-esquerda: Há uma certa dificildade em definir esta posição pela variedade de ideologias que se agrupam a ela. Mas entre suas principais características esta a veemente rejeição ao sistema capitalista e a globalização financeira. Lutam por uma distribuição igual de renda para todos abolindo todas as formas de hierarquia. Acreditam na mudança através da revolução e radicalismo, incluindo confisco de terra. São compostos por radicais, anarquistas e socialistas revolucionarios. Tendem ao anti-americanismo, anti-nacionalismo e ao ateísmo extremo.

Partidos Políticos: PCdoB, PSTU, PCB, PCO.

Centro: Visão política que acredita em aspectos da direita e da esquerda. São contra todos os extremos e não se consideram capitalistas nem comunistas. Buscam um equilíbrio para a desigualdade social, mas não são contrários a hierarquia.

Partidos Políticos: PTN, PMDB, PSL, PRB, PSD

Quando se trata de política temos que ter cuidado com generalizações. Como por exemplo, é difícil afirmar que a esquerda é a favor dos direitos humanos. Regimes totálitários de esquerda mataram milhares de pessoas pelo mundo, assim como Che mantinham campos de concentração para homossexuais. Só podemos afirmar que são defensores dos direitos sociais. Também vale lembrar que Abraham Lincoln, um político republicano de direita homossexual foi quem libertou os EUA do sistema escravista. O mesmo se dá com a direita, que se diz a favor da democracia e da liberdade. Entretanto, a direita fascista substitui a democracia por regimes autoritários nos países que tomou posse, matando tantas pessoas quanto os regimes comunistas, estatizando empresas, congelando o mercado e censurando a mídia.

Não há como se definir concretamente a esquerda e a direita, pois elas se mesclam. Apenas podemos citar suas características gerais, sua história e tendências. Por estes motivos, muitos podem discordar do conteúdo deste artigo. Ele foi escrito unicamente para facilitar as pessoas a identificar de uma maneira mais clara conceitos relacionados a direita e esquerda ideológicas.

Por Eduardo Ayres Soares
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