Massacre de Alcaçuz: Roberto Cabrini passa a noite no pavilhão 4 e entrevista líderes de facções

O Conexão Repórter deste domingo (26), exibirá uma reportagem especial sobre a penitenciária estadual de Alcaçuz, palco de massacre e rebeliões, no início deste ano. O jornalista e apresentador Roberto Cabrini passou uma noite em uma das celas do temido pavilhão 4 de Alcaçuz, para desvendar os segredos do presídio onde ocorreu o massacre de janeiro, que matou 26 pessoas.

Cabrini se torna o primeiro jornalista a ter acesso ao interior da fortaleza, que ficou conhecida como inferno em forma de grades, muros e torres.

A jornada é a base de uma investigação de uma semana, que faz importantes revelações sobre os bastidores da guerra entre facções, que produziu execuções bárbaras e cabeças decapitadas. Cabrini pecorre corredores sombrios, encontra os túneis cavados, esconderijos onde se ocultavam armas de fogo e valas onde se depositavam pedaços de homens executados.

O jornalista transmite a sensação de uma noite em um pavilhão temporariamente desativado, onde o silencio só é quebrado pelos passos dos guardas, as conversas dos presos em outros pavilhões, o murmurinho da superlotação e da permanente tensão.

Em Alcaçuz, Cabrini consegue ficar frente a frente com importantes líderes das organizações criminosas, que se enfrentam em uma região onde também se mata pela disputa do tráfico de drogas fora do presídio.
Roberto Cabrini vai até o centro da matança. E mostra as marcas de uma guerra, que está longe de terminar. Como está a rotina? Como vivem os presos, agora divididos por um muro de containers? O que acontece por trás das grades, das celas e corredores? O resultado de uma semana de investigação, onde o confronto aconteceu. A ação dos agentes especiais da Força Nacional Penitenciária. Homens treinados para um desafio repleto de riscos. Imagens reveladoras e inéditas...

Os relatos das mulheres que perderam maridos e filhos decapitados. E um homem carismático,sempre fortemente armado e escoltado, ameaçado de morte pelos presos, que enfrenta pressões de todos os lados com a missão de administrar uma crise que não termina.

Uma entrevista dentro de Alcaçuz em alta temperatura. O que o secretário de Justiça e Cidadania do Rio Grande do Norte, Walber Virgulino tem a dizer? Como responde a críticas e acusações de que parte de seus homens facilitaram a entrada de armas? Por que a onda de conflitos se espalhou com tanta violência em vários presídios do país?

Veja trecho da entrevista entre o jornalista e um dos presos:

Você se arrepende do que fez? (Cabrini)

Olha, se eu disser que eu me arrependo, eu vou estar mentindo. Porque, como eu disse, esses caras já mataram mãe da gente, mataram criança.

Você se arrepende de ter cortado cabelas? (Cabrini)

Não, eu não me arrependo. Porque a criança de três anos de idade que eles mataram e a nossa família que eles vivem expulsando aí, eles não tem arrependimento. E ainda mandam áudio dizendo que tem que caçar nossas famílias.

Você faria novamente? (Cabrini)

Com certeza. Isso aí é coisa normal para a gente que vive nessa vida.

Você sentia o que? (Cabrini)

Nada.

Era um ser humano, com a cabeça decepada... (Cabrini)

Era, mas se fosse a gente também, eles tinham feito a mesma coisa ou pior.<

Mas, por que decepar a cabeça? (Cabrini)

Porque é a regra da cadeia.
Mossoró Hoje

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