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"Terrorismo se combate com fogo", diz servidor do MPRN que atirou em dois promotores nesta sexta, 24

O Ministério Público divulgou neste sábado (25), trecho da carta do servidor Guilherme Wanderley Lopes, acusado de tentar matar procuradores e um promotor de justiça na tarde de ontem, em Natal. Guilherme, que estava foragido, se entregou neste sábado a polícia militar.

Guilherme invadiu uma reunião na sede do MPRN, e tentou atirar em Rinaldo Reis, procurador-geral. Errou o tiro. Em seguida, atirou contra o procurador-geral adjunto Jovino Pereira Sobrinho e no promotor Wendell Beetoven. Os dois estão hospitalizados.

No documento, o servidor deu detalhes sobre como pensou o atentado, que teria motivações políticas e administrativas. Segundo ele, desde 2013, ele planejava o crime. 

Na carta, escrita antes do crime, o servidor diz que "terrorismo se comate com fogo". E ainda "alguém precisava fazer algo efetivo e dar uma resposta a esse genuíno crime organizado".

O documento foi deixado na sala pelo servidor após o crime. Nele, continha ainda o pedido de exoneração dos três promotores alvos do ataque.

Sobre o motivo do atentado, Guilherme criou um tópico específico.

'Ora, o motivo é intuitivo: legítima defesa sui generis própria e alheia. Alguém precisava fazer algo efetivo e dar uma resposta a esse genuíno crime organizado. Resposta do tipo: 'para algumas ações, haverá sim reação'. Ou: 'quem planta... colhe'. A verdade não pode ser calada, nós estamos numa guerra que, infelizmente, é imperceptível por muitos dada a gigantesca cegueira do nosso povo ignorante, desorganizado e, por isso mesmo, culpados. A caneta tem o poder de ferir e matar. Meu lema há muito tempo é: trate os outros como gostaria de ser tratado e procurando dar a cada um o que é seu. Tão fácil de seguir, mas, infelizmente, tão desprezado".

O servidor disse que planeja o crime desde 2013. "Eu estou preparado desde 2013, na espreita de sua principal jogada maldosa: exonerar os assessores ou ataque à suas finanças. Aí sim, eu teria carta branca para fazer o que tinha e tem que ser feito. Sigo o critério objetivo dele. O que é ruim para o todo deve ser descartado. Ele inspira tremenda má influência e isso já temos de dobra. Tinha que esperar até o último momento, até minhas finanças se esgotarem, porque a tarefa não é nada fácil, apesar de necessária".

Em seguida, ele completa: "São mais de 3 anos esperando (desde abril de 2013). Angústia porque não sou dono da verdade e, por isso mesmo, ainda tenho um pouquinho de dúvidas acerca dessa minha conduta. Cerca de 5% a 10% de dúvidas. Mas, satisfação porque pedi resposta a Deus e, pelo que percebi, ele me mostrou esse caminho. Tenho cerca de 90% de certeza de que assim devo proceder. Os sinais foram vários, claros e eu prometi a Deus e a Jesus Cristo que estaria pronto para essa tarefa. Ora, se prometi uma coisa a Eles... como posso voltar atrás? Nunca! Sou um servo de Deus e de Jesus Cristo".

O servidor, em determinado trecho da carta, deixa claro que seus planos eram matar os alvos: "Hoje, aconteceu o 'impeachment qualificado' (pelo menos, do procurador-geral de Justiça e do procurador-geral de Justiça adjunto, ambos aqui do Rio Grande do Norte). Notem que o impeachment convencional não seria possível, tendo em vista que o Rinaldo sabia se articular bem e, relembrando a eleição, conseguiu 132 votos a favor e 82 contra, como consequência, logrou êxito na candidatura do citado cargo".

Ele também dá indícios de que sabia que poderia morrer durante a ação planejada ou até mesmo tirar a própria vida, ao ressaltar: "Esse meu relato eu tentarei entregar a algumas pessoas de bem, honestas, visando a melhor divulgação possível desse trabalho e sem cortes. Vocês que ficam, busquem a dignidade. Encontrem um caminho mais fácil que o meu".

Guilherme Wanderley está preso, por mandado de prisão prevetiva, no Comando da Polícia Militar, em Natal.
Mossoró Hoje
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