Tema da redação do Enem 2017 fala sobre a educação de surdos no Brasil

O tema da Redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2017 é “Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil". O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pelo exame, divulgou a informação em sua conta no Twitter logo após o fechamento dos portões.

Para o coordenador de Redação do Colégio de A a Z, Rafael Pinna, o tema segue a tendência dos últimos anos ao abordar uma questão relativa a um grupo marginalizado na sociedade, como aconteceu com as propostas referentes ao combate à violência contra a mulher, à intolerância religiosa e ao racismo.

— A aposta de um tema de inclusão de pessoas com deficiência é uma aposta que aparece há bastante tempo nos temas prováveis. Não chega a surpreender, até porque nos últimos anos tem uma tendência de falar de grupos excluídos e marginalizados. Não fugiu dessa lógica — avalia.

O educador afirma que os alunos precisam estar atentos para não fazer abordagens generalistas e fugir do tema. Segundo ele, é preciso lembrar que a proposta traz ainda a questão relativa à educação.

— O tema parece mais específico que nos anos anteriores. O aluno deve ter cuidado para não falar genericamente sobre pessoas com deficiência, ou sobre pessoas surdas. Ele deve falar sobre a educação para esse grupo.

Sobre a grande polêmica deste ano em relação à violação dos direitos humanos, o professor acredita que o assunto proposto pelo Enem não é tão suscetível a violações como os de anos anteriores.

— Fico feliz com o fato de não ter caído um tema que toque diretamente em questões que podem ser alvo de discursos de ódio e, que devido à suspensão do critério, estariam de certa forma autorizados na redação. Não me parece um tema que vai trazer grandes desafios, embora esteja em sintonia com os direitos humanos, já que fala sobre a necessidade de educação para todos e a própria constituição traz isso como um direito. É uma questão que dialoga com os direitos humanos, mas não envolve discursos de ódio — diz Rafael Pinna.

Nesta edição do Enem, pela primeira vez, candidatos com deficiência auditiva poderão fazer a prova com o apoio de vídeos que narram os enunciados na língua dos sinais — o que ocasionou a elaboração de dois exames distintos, mas que também serão aplicados nos dias 5 e 12 de novembro.

— Foram escolhidas questões com enunciados mais objetivos e que não demandem conhecimento auditivo prévio dos candidatos. O nível deste exame será igual ao de todos os outros que realizarão a prova nos mesmos dias — relatou ao GLOBO, em setembro, Eunice Santos, diretora de Gestão e Planejamento do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), autarquia federal que organiza o Enem.

Em um comunicado divulgado nesta tarde pelo Inep, o instituto comenta a escolha do tema para a edição de 2017 do exame:

"Deficientes auditivos e surdos que optaram fazer a Videoprova Traduzida em Libras, novidade desta edição, terão duas horas a mais de prova. É a primeira vez que o Enem é aplicado em dois domingos consecutivos e que as áreas de conhecimento são divididas dessa forma. Assim, a demanda cognitiva do participante está organizada de maneira mais inteligente e integrada", diz o comunicado.

Fonte: O Globo

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