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Governo Bolsonaro já tem tudo que precisa para dar errado

Coluna de Opinião:
Passados mais de 120 dias já é possível termos uma noção do rumo que o governo Bolsonaro está tomando. O bom senso nos convida a continuarmos torcendo que dê muito certo. Entretanto, a impressão que particularmente tenho é a de que o novo governo já tem tudo que precisa para dar errado. E para se chegar a essa impressão primeiro devemos lembrar como se deu o processo eleitoral que resultou na eleição do capitão da reserva Jair Messias Bolsonaro, quando além dele tivemos opções mais interessantes, tais como Ciro Gomes, Henrique Meirelles, Álvaro Dias e João Amoedo. Naquele momento decisivo para o país, infelizmente o povo brasileiro preferiu se dividir entre dois extremos. Numa ponta um militar radical, notadamente despreparado, mas que prometia resolver o grave problema da violência, combater sem trégua a corrupção e tornar o Estado mais eficiente. Na outra ponta, indicado por um ex-presidente condenado e preso por crimes de corrupção, um ex-prefeito reprovado em São Paulo-SP, que respondia a 32 processos e prometia convocar uma assembleia constituinte para elaboração de uma nova constituição. A eleição foi decidida em dois turnos, onde o militar venceu ambos com folga, enquanto o segundo colocado se esquivou de reconhecer a legitimidade do processo eleitoral e incentiva até hoje uma oposição por oposição.

Ainda na pré-campanha à Presidência da República, a grande mídia brasileira (com raríssimas exceções) revelou sua pior face, e vem mantendo-a até hoje, quando esta presta um desserviço sem precedente e que influencia negativamente a mídia internacional a respeito do Brasil, bem como a extrema maioria dos veículos de comunicação brasileiros de menor expressão.

Tão logo iniciado o novo governo, se percebeu que no Congresso Nacional a expressiva renovação não foi suficiente para mudar sua cara. Como se não bastasse a oposição por oposição, que é feita pelos parlamentares esquerdistas, os achacadores denunciados pelo então ministro da Educação Cid Gomes, em 2015, os quais formam o chamado ‘Centrão’, mantêm os mesmos vícios e ainda são maioria. Para se ter uma ideia da mediocridade daquela gente, recentemente um deles, o deputado federal Paulinho da Força (SD), foi capaz de declarar que é preciso ‘desidratar’ a proposta de reforma da Previdência para que o presidente Jair Bolsonaro não seja reeleito em 2022. E os interesses da Nação? Estão se lixando para isso.

Iniciado o novo governo, como já era esperado também se acentuou o despreparo do presidente. Além disso, dois dos filhos do Bolsonaro se tornaram verdadeiros problemas. O vereador Carlos Bolsonaro por agir como se estivesse em uma monarquia e promover constantes ataques a pilares do próprio governo, e o senador Flávio Bolsonaro que precisa explicar melhor sua relação com seu motorista e ex-assessor Fabrício Queiróz – que movimentou valores financeiros incompatíveis com sua renda declarada -, bem como seu notório envolvimento com milícias do Rio de Janeiro. Os casos envolvendo Flávio são situações que, inegavelmente, colocam em cheque a reputação da família Bolsonaro, ferindo a moral que o presidente precisa ter para enquadrar o Congresso Nacional e finalmente promover a nova política prometida.

Para piorar ainda mais a situação, dos arredores do Palácio do Planalto, em Brasília, até os mais distantes rincões do país, mantém-se um povo radicalmente dividido e uma oposição irredutível, pois querem de volta o poder, de forma que não há clima para que se estabeleça o ambiente de paz que o governo Bolsonaro precisa para dar certo.

E é bem verdade que, o presidente da República, por sua vez, não se ajuda e mantém seu comportamento radical de quando enfrentava o PT, no processo eleitoral. Sua equipe administrativa, ainda desalinhada, não consegue avançar com sua agenda reformista e, o que é pior, sem medir as consequências no campo político, adota medidas impopulares, com pouca transparência, em áreas importantíssimas como a educação de nível superior.

Enfim o governo ainda não se conectou com os problemas do país e seus agentes seguem como se em um laboratório fizessem experiências em busca de curas sem de fato conhecerem as “doenças”.

Tudo me faz perceber que no presidente falta não só preparo, mas também humildade. É fato que ele conhece um caminho para chegar ao poder, mas não deveria ignorar como tem ignorado o modus operandi utilizado por um dos seus antecessores, o ex-presidente Lula que, embora analfabeto, governou o país por 8 anos produzindo resultados que lhe renderam índice de aprovação superior a 80% e lhe permitiu fazer uma sucessora sem dificuldade. Com isso não quero dizer que Bolsonaro deveria aderir ao populismo irresponsável o qual o PT adotou quando esteve à frente dos rumos do país. Entendo que, se o objetivo é o bem comum, dentro de um campo de equilíbrio o atual presidente pode e deve reaproveitar ideias que já deram certo, sem se preocupar que isso possa reavivar politicamente seus adversários. Até porque, para o gestor público que verdadeiramente quer mudar para melhor o rumo de um país, de um estado ou de um município, ao longo de todo o governo os únicos tidos como adversários devem ser os problemas.

Fonte: RN 360
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